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quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Conversa com o Nevoeiro

- Nevoeiro porque não te vais e me deixas falar com o céu?
- Por vezes eu tenho que intervir.
- Mas porquê?
- Porque eu trago o branco e o nada, e há quem precise que na cabeça não se passe nada mais que o nada.
- Mas eu não consigo fazer com que não se passa nada, que tudo seja branco. Por isso queria ver o céu.
- Porquê ver o céu quando podes ver todo o nada em mim?
- Porque o céu tem várias cores. Porque no céu há réstias de Verão e Inverno. Porque no céu se vê o infinito.
- Mas se nunca sentes o nada em ti, como consegues suportar todas essas inquietações, todas essas hipóteses que a tua cabeça formula a toda a hora?
- Não consigo, mas nem tu, nem o céu me vão dar respostas. Eventualmente eu encontrá-las-ei.
- Eventualmente...Mas fazia-te bem, por um segundo, deixares a tua mente cair no meu regaço e esquecer essa frustração, essa tristeza, essa culpa.
- Talvez, talvez. Mas o teu branco é incerto, é dúbio. Chega até a ser perigoso. Não sei o que pode acontecer no meio da tua brancura e do teu nada. E a culpa...A culpa é da minha fé nos outros.
- Pois, eu de facto não mostro tudo com clareza não. Não te preocupes, vou-me embora em breve.
- Obrigada.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

London, Italy and airports



During my exchange programme in London I have been trying to do one of the things I love the most: see places. Getting in a low cost flight and just go and see the world (well...Europe).

Most people hate airports. Some don't like flying. Some hate the waiting. Some just want to go home.
I love airports. Airports are the perfect spot for learning vital things for my future job, translation: there is no better place to listen to all the languages floating in the same area and it is one of the best places to actually observe people. You can learn so much about living in society and people's behaviour. It is really helpful. I like to observe people, to listen to their conversations, to see how their body language works, their precise and unique gestures. I find that quite amazing.

Let's take a trip to my last visits to airports!

The end of October has been quite blessed and I got back to my city. London.
It was strange, but good. I still had my 16-25 railcard so I was able to get my final discounts as a Londoner student. I knew exactly what to do and where to go.
I think I finally felt how much that city is important to me. I spent so much time there, I took so many long walkings by the Thames, I understand so well the old, dark and dusty underground...It felt I never left.
And I think that is the reason why I will eventually get back to live there. Because I understand and feel part of the culture, because I am foreign and I evaluate so well the good and bad, because I will always have Lisbon waiting for me to make up for the non-lasting sun and the panoramic views.
I will always complain about the food, always complain about how the tube gets me panic attacks, get annoyed about how people don't know how to walk in Oxford Circus or Tottenham Court Rd., but I will always love the enormous variety London as to offer. Even the mud of the foreshore sounds appealing, if you spare some time to have a walk by those lamps and trees.

I finally visited some food markets, I got back to Nero for some lovely Caramelatte and I was able to meet most of my dear friends. I even got the time to get back to long and busy Finchley Rd and have a meal at the Indian restaurant I used to go. Getting on the 13 was never so special. I felt quite nostalgic looking at my old bedroom window.

I am pleased of going back again in January, as I want to take some pictures with my new and proper camera. Go to some parks that I haven't got the chance to visit... Well, get more in love with the city, if that is possible.

Continuing my trip, ten days later I got back to charming Bologna. This trip was nothing of what I was expecting. Between severe delays due to the French strike and rude Italian people I don't know what could have gone worse...Oh wait, I know: miss all regional trains to Bologna and not being able to visit a new city, Milano.
Nevertheless, the purpose of the journey was not seeing new places. I mean, it was in a way, because I knew I was going to visit places I had seen before, but the main reason was to visit my dear and beautiful friend Marta. She is now experiencing the wonders of Erasmus. I could not possibly refuse to visit her, because when I was abroad she and three more of our friends made me very happy by visiting me. There are some times you feel so lonely that is really good when someone from home comes to share your new reality.
I am so glad I was able to get back to Bologna. I was able to see it with more time, to actually enjoy the food and the monuments and, obviously, to be with her.
Florence was not supposed to happen, but it was a lovely mistake on our train doomed plans. Venice was windy and rainy, although it was a still a pleasure, as it is such a mythic and unique place. Plus the company was perfect.

Next stop: London revival part II and PRAGUE! Yes, I am finally going to Prague.
If lat year I could not imagine I was going to visit Italy anytime soon, I could not possibly have guessed that I was going to revisit London and all the cities I have visited with Carolina in Italy and finally Prague.

Bare in mind that I have been working hard to fulfill all these hidden dreams.

Post again soon...I hope.

PS - Ana, consider yourself in that picture as well, if you please.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Honesty

Word of the day:


HONESTY.


Because it is obligatory, because it is the basis of everything, because it defines someone as whole.

Time for new blank pages be filled with ink.

C.
xx

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Rentrée

E mais um ano lectivo começa. Desta vez estou em minha casa, no meu quarto remodelado, com uma decoração nova e completamente ao meu gosto.

Ainda há vestígios de Londres, umas caixas para arrumar, coisas para catalogar...Enfim.

Contudo há também o início de algo novo. Eu pensava que pensar à FCSH seria fazer novos amigos, pois não teria nenhuma cara conhecida, mas enganei-me. Velhas caras receberam-me de braços abertos e com muita simpatia. O meu ego sentiu-se bem. Por alguma razão senti sempre que a minha base de amigos não era na faculdade e agora acho que pode ser o começo de algo importante e bom. Isto não quer dizer, obviamente, que eu não tivesse amigos de anos anteriores, mas alguns já não estão lá e, por outro lado, cada um tem a sua vida.

O regresso a Portugal foi muito agitado. Comecei logo a trabalhar nos festivais de verão, reencontrei-me com os meus amigos e tentei aproveitar ao máximo a cidade de Lisboa. Sinto-me mais velha, não só em termos de idade, mas mesmo como pessoa. Parece que num ano fiz muito e que evoluí. Isto para dizer que este blog tinha tanto pó como tem agora a minha mesa de cabeceira (que não deve ser limpa há dois meses!).

E agora vou voltar para as minhas traduções de Francês, e parar de engonhar!

Espero actualizar-me em breve.

C.
xx

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Land of Begin Again

I know it's been a very long time. A lot happened in between.
Today is just about a bright future. A sign of hope. Maybe tomorrow I'll write more about something else.



There's a land of begin again
On the other side of the hill
Where we learn to love and live again
When the world is quiet and still

There's a land of begin again
And there's not a cloud in the sky
Where we'll never have to grieve again
And we'll never say goodbye
When all your troubles just surround you
And around you skies are grey
If you can only keep your eyes on
The horizon, not so far away

There's a land of begin again
On the other side of the hill
Where we learn to love and live again
When the world is quiet and still

There's a land of begin again
And there's not a cloud in the sky
Where we'll never have to grieve again
And we'll never say goodbye

There aren't any signposts to guide you
You don't need permission to stay
And you'll find there's something inside you
Showing you the way

There's a prize we can win again
And together, somehow, we will
There's a land of begin again
On the other side of the hill



segunda-feira, 14 de junho de 2010

Sem título

Sem título.

Hoje a vida deu-me uma nova chapada. Estou em choque. Estou revoltada.

Acho que sempre encarei relativamente bem a morte do meu pai. Não me conformei, como é óbvio. A vida foi puta (não há outro nome), levou-o quando ele estava quase curado, embora ele tenha sempre dito que ia morrer cedo...

Ontem, depois de ver Glee, lembrei-me que a minha mente já não consegue encontrar a memória da voz dele...Consigo ver gestos, olhares, expressões, mas a voz perde-se com o passar do tempo. Acordo e tenho a notícia de que a mãe de um amigo meu, de quem eu gostava, partiu. E partiu sem aviso ou sinal.

O que me dói é que eu não estou no meu país para poder abraçar o meu amigo. Porque por mais que eu escreva, são só palavras. Eu sei que neste momento ele quer tudo menos palavras. Eu só precisei de estar um pouco sozinha, e de abraços. Os abraços são quentes, os abraços fazem-nos continuar, porque (cliché dos clichés) a vida continua. Destesto esta frase 'a vida continua'. Continua, mas nós temos que aprender a continua-la. A nossa perspectiva muda, a nossa sensibilidade também. Vemos a vida de uma outra maneira. Ás vezes tenho medo, muito medo. Outras não, outras acordo e vivo.

Eu achava que tinha aprendido a lidar com a morte, mas não. Enganei-me. Enganei-me porque sinto esta revolta, aquele nojo do acaso, de saber que não vou encontrar-me mais com essa pessoa ou com o meu pai. Porque consigo imaginar exactamente a sensação de vazio que vai na alma dele. Consigo imaginar o quão pesaroso deve estar a ser estar em casa.

Para ti só posso dizer: chora, chora muito. Depois pára, olha lá para fora e deambuleia. O tempo não cura, mas sara. A única certeza que vais ter é que a ferida poderá abrir de vez em quando. Mas passa. Agarra-te às pequenas memórias, aos pequenos gestos, aos momentos. Recorda isso com um sorriso, e não com uma lágrima, mesmo que por vezes não consigas evitar.
Gostaria muito de estar contigo, apesar de me sentir desiludida connosco nos últimos tempos. Gostaria de estar aí e ser um ombro.

O karma é foda mesmo. Mas depois da parte negativa, vem sempre a melhor parte.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Do piano para a guitarra

E porque o mês de Maio foi o mês das realizações musicais não poderia deixar de falar nesse jovem, nesse artista com 'a' capitalizado que é o John Clayton Mayer (sim, ele tem direito a nome do meio e tudo!).

Fui vê-lo ao Rock in Rio, pois era a primeira vez que tocava em Portugal, e tive a sorte de vê-lo em Londres (2 dias depois de Jamie Cullum e 6 depois dele actuar também em Lx) num recinto com uma acústica maravilhosa chamado Wembley Arena (não confundir com o estádio).

A minha jornada de John Mayer começou bem antes da de Jamie Cullum. Eu teria os meus 12 anos e tinha, numa das muitas estantes de álbuns da minha mãe, um chamado Room For Squares, que continha a faixa Your Body Is A Wonderland.
Lembro-me dumas férias em Cabanas de Tavira que, juntamente com este álbum, levava o Drops of Jupiter dos Train, porque numa noite quente de verão eram álbuns que eu achava que o meu pai gostaria de ouvir enquanto dormíamos ao relento.

Dois anos mais tarde, mostrei Daughters ao meu pai, ao que ele me disse uma coisa que eu ainda hoje tenho alguma dificuldade em perceber: "é música honesta". Honesta porquê? Seria a melodia? Seria a letra? Não sei, só sei que ainda hoje penso que é das músicas mais bonitas que alguma vez compôs, apesar de haver canções da sua autoria que são autênticos hinos à poesia e à eloquência.

Outra vez, não vou entrar em defesa dos meus gostos. Poderia dar mil e uma razões para explicar porque é que a música tando dele, como do Jamie, me levam ao paraíso das sensações. Poderia tentar explicar cada uma dessas sensações, mas é demasiado complexo.
De um modo geral a minha reacção é quase sempre a mesma quando os oiço tocar e cantar: fechar os olhos durante uns bons segundos e sorrir. Sorrir, não apenas com os lábios, mas também com os próprios olhos, com o pescoço, com as mãos, com as pernas e os pés. É a satisfação plena, é a abstracção total de que há um mundo lá fora, não existem relações ou preocupações, medos ou tristezas, apenas aquele momento. Aquele limbo. O meu cérebro não processa mais nada, o meu corpo está solto, livre para amar todos os sons, acordes, notas, palavras, estalar de dedos, bater de palmas e tudo mais.

John Mayer (e outra vez, à semelhança de Jamie Cullum) é um daqueles artistas que uma pessoa nunca pode formar uma opinião justa e coerente sem se ver actuar ao vivo. Por uma razão muito simples: são artistas que nasceram para actuar, que o acto de tocar e cantar é algo tão intrínseco nos seus seres como respirar; são artistas que tal como eu me perco na sua música, eles se perdem naquilo que estão a fazer.
É uma entrega tão genuína que se percebe com as expressões faciais que fazem. E aqui outra vez vêm os sorrisos. Ver o Jamie Cullum sentado ao piano e sorrir com uma reacção do público ou com uma nota que acabou de produzir é das coisas mais extraordinárias que já presenciei. Tal como ver o John Mayer entregar-se às suas guitarras e fazer coisas absolutamente surreais com elas. Tocar com uma mão pode parecer algo que outros também fazem, mas é o que ele toca: literalmente John Mayer consegue fazer com que uma guitarra cante e chore. No fundo, é a habilidade com que cada um deles manuseia os seus instrumentos (no caso do Jamie aquilo é mais que manusear, aquilo é pés, é ancas, é baquetas, é cadeiras, é tudo o que produza som) e o brilhantismo com que o fazem.
Em suma, são artistas que tiram o maior proveito das suas capacidades e que têm uma profunda e pura paixão e dedicação pela música.
Na minha opinião são os artistas que demonstram uma desenvoltura e uma naturalidade tão peculiar ao vivo que são os melhores. Os trabalhos de estúdio podem ser muito bons, mas a transposição para o palco às vezes perde muito. Neste caso não, ganham proporções gigantes de tão incrivelmente boas que são. Conheço-os de trás para a frente e de frente para trás e não há vez nenhuma, repito, vez nenhuma, que não fique incrédula ou que me emocione.

O meu pai ainda era vivo quando saiu o Continuum, mas penso que nunca chegou a ver as versões de Gravity, Vultures ou Bold As Love ao vivo. Julgo que se tivesse teria adorado, pois era grande fã de Jimmi Hendrix e Eric Clapton. Aliás, este álbum em particular ecoa a Eric Clapton, numa versão mais Pop obviamente, absolutamente inacreditável. Não é coincidência, uma vez que admiração do Clapton pelo Mayer é mais que pública. De cada vez que vejo Gravity de Where the Light Is tenho arrepios na espinha.

Em jeito de conclusão, estou-me a borrifar para o que é cada um deles diz ou faz nas horas vagas, desde que continuem a dar música, porque a deles, na minha mais sincera opinião, é genial e extraordinária.

Aqui fica uma cover de Free Fallin'